{"id":616,"date":"2016-03-06T09:32:52","date_gmt":"2016-03-06T12:32:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.labcom.fau.usp.br\/?p=616"},"modified":"2016-03-06T09:36:48","modified_gmt":"2016-03-06T12:36:48","slug":"sobre-presentes-e-favores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/?p=616","title":{"rendered":"Sobre presentes e favores"},"content":{"rendered":"<p>Por Heliana Comin Vargas;<\/p>\n<p>Quem adentrou minimamente o campo da antropologia no quesito troca, com\u00e9rcio e consumo, chegar\u00e1 \u00e0 obra de Marcel Mass, em seu ensaio sobre a d\u00e1diva. O que ele nos ensina a partir de povos antigos da Melan\u00e9sia e Polin\u00e9sia, entre outros, \u00e9 que o ato de receber implica na obriga\u00e7\u00e3o de retribuir. Ou seja, as motiva\u00e7\u00f5es para dar, receber e retribuir s\u00e3o de in\u00fameras ordens envolvendo interesses diversos que acabam por criar um v\u00ednculo entre quem d\u00e1 e quem recebe. \u00c9 interessante observar que esta rela\u00e7\u00e3o de obrigatoriedade de retribuir acontece at\u00e9 mesmo no \u00e2mbito das religi\u00f5es onde \u201cdiante de um milagre recebido se cumpre uma promessa\u201d. Observem que em nossa l\u00edngua quando dizemos \u201cobrigado\u201d, por qualquer favor recebido, est\u00e1 impl\u00edcita a palavra \u201cobrigado a retribuir\u201d. Por isso, que as legisla\u00e7\u00f5es do setor p\u00fablico consideram como ilegalidade a recep\u00e7\u00e3o de presentes pelos servidores p\u00fablicos. Estes recebem seu pagamento, por meio de impostos pagos pela sociedade para os trabalhos que devem realizar e que devem ser exercidos sem qualquer prefer\u00eancia. Considerando que eles j\u00e1 recebem pelo que fazem, estes presentes podem assumir o car\u00e1ter de compra de facilidades ou de vantagens extras. Portanto, n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel no \u00e2mbito do servi\u00e7o p\u00fablico aceitar presentes e favores extras! Tanto \u00e9 que, Presidentes e Chefes de Estado n\u00e3o podem receber presentes individualmente, e quando recebem devem inclu\u00ed-lo ao patrim\u00f4nio do pa\u00eds.<strong> (<\/strong>Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 3, de 23 de novembro de 2000 \u201c Regras sobre tratamento de presentes e brindes aplic\u00e1veis \u00e0s autoridades p\u00fablicas abrangidas pelo C\u00f3digo de Conduta da Alta Administra\u00e7\u00e3o Federal). Receber presentes (de qualquer natureza, n\u00e3o necessariamente em dinheiro) e favores, ao estabelecer o v\u00ednculo entre quem d\u00e1 e quem recebe, criando a obriga\u00e7\u00e3o de retribuir, d\u00e1 origem ao chamado \u201crabo preso\u201d no dito popular. Assim, a quantidade de presentes recebidos tende a estar na mesma propor\u00e7\u00e3o dos favores prestados, o que no setor p\u00fablico \u00e9 completamente inadmiss\u00edvel! E para terminar, a origem da palavra gift, conforme mencionado por Mauss, nas l\u00ednguas germ\u00e2nicas antigas, significa, ao mesmo tempo d\u00e1diva e veneno. Ou seja, ao criar a obriga\u00e7\u00e3o de retribuir, fica-se obrigado e, de certa forma, escraviza-se o donat\u00e1rio (receptor).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Heliana Comin Vargas; Quem adentrou minimamente o campo da antropologia no quesito troca, com\u00e9rcio e consumo, chegar\u00e1 \u00e0 obra de Marcel Mass, em seu ensaio sobre a d\u00e1diva. O que ele nos ensina a partir de povos antigos da Melan\u00e9sia e Polin\u00e9sia, entre outros, \u00e9 que o ato de receber implica na obriga\u00e7\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/616"}],"collection":[{"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=616"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/616\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":619,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/616\/revisions\/619"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=616"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=616"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=616"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}