{"id":587,"date":"2015-11-28T09:25:27","date_gmt":"2015-11-28T12:25:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.labcom.fau.usp.br\/?p=587"},"modified":"2015-11-28T09:46:58","modified_gmt":"2015-11-28T12:46:58","slug":"troca-comercio-e-consumocongestionamento-e-vitalidade-uma-via-de-mao-unica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/?p=587","title":{"rendered":"Troca, com\u00e9rcio e consumo: congestionamento e vitalidade, uma via de m\u00e3o \u00fanica"},"content":{"rendered":"<p>Considerando que a atividade de troca est\u00e1 na origem das rela\u00e7\u00f5es humanas, o ato da troca n\u00e3o pode prescindir do encontro. Encontro f\u00edsico ou virtual que possibilite aos interessados ter o contato com o objeto da troca e, se poss\u00edvel, comparar com outras ofertas para o mesmo objeto. Este \u00e9 o sentido do lugar do mercado: colocar juntos os que querem vender com os que querem comprar. Portanto, o tr\u00e2nsito de potenciais consumidores para a realiza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e a concentra\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio para a atra\u00e7\u00e3o de potenciais consumidores caminham na mesma dire\u00e7\u00e3o: o congestionamento. A sensa\u00e7\u00e3o de congestionado passa, imediatamente, a sensa\u00e7\u00e3o de vitalidade por concentrar atividades e oportunidades que agu\u00e7am a curiosidade. Assim, instala-se um movimento auto refor\u00e7ador.<\/p>\n<p>\u00c8 importante destacar, ainda, que o car\u00e1ter s\u00f3cio-cultural impl\u00edcito na atividade de troca faz com que a atividade comercial aproveite a exist\u00eancia da reuni\u00e3o de pessoas em locais onde outras atividades sociais acontecem pelos mais diversos motivos: religi\u00e3o, pol\u00edtica, divers\u00e3o, cultura<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Esta rela\u00e7\u00e3o entre tr\u00e2nsito de pessoas, ve\u00edculos e mercadorias que quanto mais congestionado mais din\u00e2mico, nos remete tamb\u00e9m \u00e0 no\u00e7\u00e3o do lugar do mercado.<\/p>\n<p>J\u00e1 na antiguidade, conforme aponta Lewis Mumford<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[2]<\/a> na Mesopot\u00e2mia, o ideograma sumeriano que representava mercado era um <strong> Y<\/strong> , o que indicava a no\u00e7\u00e3o de encontro de duas linhas, ou rotas.<\/p>\n<p>O lugar do mercado, portanto, em sua origem, estabelece-se nos locais preferenciais de passagem que a natureza estrategicamente providenciou, como os O\u00e1sis nos Desertos, as fontes de \u00e1gua pot\u00e1vel, as travessias mais f\u00e1ceis, as dist\u00e2ncias eq\u00fcidistantes entre centros din\u00e2micos, ou o entroncamento de rios<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[3]<\/a>. Espontaneamente ofertados pela natureza ou artificialmente constru\u00eddos pelo homem por meio de investimento de trabalho e capital, estes locais de mercado t\u00eam, em comum, o intenso fluxo de pessoas que atraem e que a partir de um determinado momento passam a gerar.<\/p>\n<p>A teoria da localiza\u00e7\u00e3o comercial, que surge posteriormente a partir de Walter Christaller, por volta de 1933, com seu modelo hexagonal do lugar central, sinalizava e refor\u00e7ava a id\u00e9ia desta rela\u00e7\u00e3o direta entre a variedade e quantidade dos produtos ofertados por um centro com o tamanho da popula\u00e7\u00e3o a ser abastecida (densidade e renda).<\/p>\n<p>Portanto, a presen\u00e7a de tr\u00e2nsito de poss\u00edveis consumidores, em quaisquer meios de transporte, apresenta-se como o elemento fundamental para o desenvolvimento das atividades de com\u00e9rcio e servi\u00e7os, com fortes repercuss\u00f5es sobre o funcionamento da cidade.<\/p>\n<p>No entanto, a rela\u00e7\u00e3o entre as diversas categorias de com\u00e9rcio e servi\u00e7os com o seu p\u00fablico alvo e o espa\u00e7o f\u00edsico que lhes d\u00e1 suporte, apresenta uma enorme variedade, que precisa ser compreendida para subsidiar interven\u00e7\u00f5es mais competentes.<\/p>\n<p>Estas diferen\u00e7as de relacionamento implicam em diferentes demandas operacionais, (carga e descarga, tratamento de res\u00edduos s\u00f3lidos e de ru\u00eddos), de espa\u00e7o f\u00edsico (estoque, estacionamento, vitrinas) e de localiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como ilustra\u00e7\u00e3o desta complexidade de movimenta\u00e7\u00e3o de pessoas, ve\u00edculos e mercadorias, a simples diferen\u00e7a na inten\u00e7\u00e3o da compra &#8211; por necessidade, impulso, ou conveni\u00eancia &#8211; implica em situa\u00e7\u00f5es que exigem respostas tamb\u00e9m diferentes.<\/p>\n<p>A compra necess\u00e1ria, programada, voltada ao abastecimento, sem muita indecis\u00e3o na escolha do produto, pressup\u00f5e um deslocamento intencional que, dependendo do tipo de produto, pode ou n\u00e3o estar associada ao autom\u00f3vel. Considerando a inten\u00e7\u00e3o de gastar pouco tempo na sua realiza\u00e7\u00e3o, a facilidade de estacionamento e o r\u00e1pido acesso s\u00e3o fundamentais. As farm\u00e1cias, por exemplo, incluem-se nesta categoria, sendo que algumas j\u00e1 adotaram o sistema de <em>driving thru <\/em> ou voltaram-se para o exterior nos tradicionais Shopping Centers.<\/p>\n<p>A compra por impulso, por sua vez, pressup\u00f5e um deslocamento a p\u00e9, mais pr\u00f3ximo \u00e0s vitrinas, de modo a se inserir no deslocamento e criar a sedu\u00e7\u00e3o para o consumo. A pipoca na frente da escola \u00e9 um bom exemplo. Este tipo de compra n\u00e3o pode prescindir do contato do consumidor com a mercadoria, principalmente em itens de moda que necessitam ser experienciados, como o vestu\u00e1rio, onde pedestre e vitrina tem uma simbiose total.<\/p>\n<p>A compra por conveni\u00eancia adiciona a urg\u00eancia na compra necess\u00e1ria e busca a conveni\u00eancia de efetiv\u00e1-la, seja nas imedia\u00e7\u00f5es da resid\u00eancia , trabalho, escola, ou no percurso entre estas atividades. A aglomera\u00e7\u00e3o de a\u00e7ougues junto a terminais de \u00f4nibus, ou lojas associadas a postos de gasolina s\u00e3o exemplos desta categoria. Podem ou n\u00e3o significar pre\u00e7os maiores para os produtos, em decorr\u00eancia do custo da oportunidade, dependendo no n\u00edvel da concorr\u00eancia existente.<\/p>\n<p>De acordo com o tipo de mercadoria, (perec\u00edvel, de grande porte, de f\u00e1cil conserva\u00e7\u00e3o), as exig\u00eancias de espa\u00e7o para armazenagem, de retirada de res\u00edduos, espa\u00e7os de exposi\u00e7\u00e3o e estacionamento passam a ser tamb\u00e9m itens importantes a serem observados o que, sem d\u00favida, refletir-se-\u00e1 no tr\u00e2nsito gerado.<\/p>\n<p>A freq\u00fc\u00eancia de uso (cotidiano, eventual, espor\u00e1dico), que j\u00e1 foi elemento central das teorias de localiza\u00e7\u00e3o comercial e da distribui\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica de centros &#8211; de vizinhan\u00e7a, de bairro, regional e principal,- tem, atualmente, suas exig\u00eancias alteradas. Enquanto o avan\u00e7o da tecnologia de conserva\u00e7\u00e3o dos alimentos e das t\u00e9cnicas de congelamento acenava para uma diminui\u00e7\u00e3o da necessidade de deslocamentos para o abastecimento e consumo de bens de uso di\u00e1rio, ao possibilitar, por exemplo, o armazenamento dom\u00e9stico e a diminui\u00e7\u00e3o da compra cotidiana ( p\u00e3o franc\u00eas, p\u00e3o de forma, leite de caixinha), paradoxalmente, o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico das comunica\u00e7\u00f5es, via e-commerce, abria a possibilidade da compra \u00e0 dist\u00e2ncia aumentando o fluxo de mercadorias e a necessidade da entrega domiciliar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes aspectos, a vida atribulada das cidades, a falta de tempo e um mundo 24 horas modificam, por sua vez, a din\u00e2mica dos fluxos incentivando as compras de conveni\u00eancia a qualquer hora e em qualquer lugar. E, o apelo ao consumo, cada vez mais exacerbado, inclui, continuamente, novos itens na pauta de nossas necessidades. Ao incorporar atividades das mais diversas, como aquelas relacionadas \u00e0 recrea\u00e7\u00e3o, lazer, cultura e turismo refor\u00e7am, mais uma vez, o car\u00e1ter social envolvido com a atividade de troca.<\/p>\n<p>O lugar do mercado, seja ele pontual ou linear, de nascimento espont\u00e2neo ou artificialmente criado, de pequenos povoados ou grandes cidades s\u00e3o reflexos da conflu\u00eancia de fluxos de pessoas, bens e ve\u00edculos envolvidos pela oportunidade do encontro que tem como elemento vital o congestionamento. Congestionamento este que cabe aos gestores urbanos equacionar para que as economias de aglomera\u00e7\u00e3o, t\u00e3o oportunas para a viabiliza\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios, atividades e servi\u00e7os especializados, n\u00e3o sejam superadas pelas deseconomias que, naturalmente, ir\u00e3o pouco a pouco se instalar.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[1]<\/a> VARGAS, Heliana Comin. Espa\u00e7o Terci\u00e1rio. O lugar, a arquitetura e a imagem do com\u00e9rcio. S\u00e3o Paulo: SENAC. 2001.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[2]<\/a> MUMFORD, Lewis. A cidade na Hist\u00f3ria. Trad. Neil R. da Silva.Belo Horizonte: Itatiaia,1965.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[3]<\/a> VARGAS, Heliana Comin. Com\u00e9rcio: localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica ou estrat\u00e9gia na localiza\u00e7\u00e3o?Tese de doutorado. S\u00e3o Paulo: FAUUSP. 1992.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerando que a atividade de troca est\u00e1 na origem das rela\u00e7\u00f5es humanas, o ato da troca n\u00e3o pode prescindir do encontro. Encontro f\u00edsico ou virtual que possibilite aos interessados ter o contato com o objeto da troca e, se poss\u00edvel, comparar com outras ofertas para o mesmo objeto. Este \u00e9 o sentido do lugar do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/587"}],"collection":[{"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=587"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/587\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":596,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/587\/revisions\/596"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/labcom.fau.usp.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}